Na costa do Nilo existem muitos hotéis de luxo, e o Ramsés Hilton, onde fiquei hospedada é um deles. A escolha se deu, principalmente, pelo Festival Internacional do Cairo, que se realizou no Hotel.
o chegar ao Cairo, chama-nos a atenção o contraste entre o moderno e o antigo. Na saída do aeroporto percebe-se viadutos convivendo em harmonia com Esfinges e esculturas da época dos Faráos. Para mim, o número “infinito” de Mesquitas ao longo do percurso foi o que mais me impressionou, além do barulho incessante das buzinas. O trânsito no Cairo é caótico para nós Ocidentais, mas os Egípcios parecem conviver com isso na maior “tranqüilidade”.

A viagem foi centralizada na Dança Oriental Egípcia, portanto os passeios ficaram para os intervalos dos cursos. Durante uma semana o Hotel Ramsés Hilton e seus hóspedes, viveram uma experiência tão emocionante quanto para nós amantes da dança. Circularam aproximadamente 300 mulheres ocidentais (Belly Dancers) pelos corredores, restaurantes, piscina e demais dependências do Hotel. Mulheres de 23 países, entre elas, umas 80 brasileiras chamaram a atenção dos homens e também das mulheres que se impressionaram com o nosso comportamento, com nossa liberdade de vestir, sorrir e viver.
As mulheres do Cairo me chamaram muito a atenção pelo grande número de burkas ou véus muito grandes cobrindo seus corpos, cabeça e rosto. Me surpreendi que numa cidade grande e moderna, a religião seja ainda a grande influenciadora dos costumes.


urante a semana do Festival, ocorreram muitos eventos, começando pelo Show de Abertura com estrelas como Dina e a nossa brasileira Soraia Zaied, entres outras. O desfile de roupas para Dança do Ventre da estilista egípcia Amira, também foi um deles. Foi uma experiência única e maravilhosa participar deste show. O convite foi feito pela Sahara Saeeda, que me conheceu no Brasil, quando esteve ministrando Workshop. Me senti uma star! Foram cinco entradas, cada uma com uma roupa mais bonita e luxuosa que a outra. Ficou até difícil escolher os modelos para adquirir depois do show, mas acho que fiz as escolhas certas. Todo o evento foi acompanhado por músicos ao vivo e apresentado ao público composto por celebridades. Entre elas: Raqia Hassan e Souher Zaki. Após o desfile, saímos rapidamente, pois na mesma noite, tínhamos outro compromisso no Mariland, uma renomada casa noturna Egípcia. Lá, participei de um show ao vivo com o cantor Tony Mouzayek, meu grande amigo e companheiro de viagem. Aliás, os companheiros de viagem merecem uma menção especial neste relato.
Fui para o Cairo à convite do cantor Tony Mouzayek, que faz parte dos meus amigos mais queridos. Juntamente com o casal Leonel Consorte e Hayat El Helwa, e um pequeno grupo da Academia Luxor de São Paulo...

Ainda sobre o Festival, destaco as aulas maravilhosas que participei com famosas e algumas nem tanto, e também professores homens, o que no Brasil é muito incomum nesta dança. O destaque entre eles foi o sr. Ibrahim Akef, tio da famosa bailarina Naima Akef. Ele é um excelente professor e passou muito da sua experiência como coreógrafo de grandes estrelas como Dina (atualmente a top).
lém das aulas clássicas, mergulhei no folclore egípcio dando destaque ao curso de Gawazy e Beduíno, que me emocionaram muito. Quem já tem experiência em workshops (e me incluo nesta categoria), sabe que não se pode querer aprender tudo o que é passado, como se fosse uma aula particular, mas o mais importante, é a essência do professor, seu estilo, dicas e o que ele pode acrescentar a nossa dança pessoal. E, é claro, ter a oportunidade de conhecer coisas novas, aprender a “mesma coisa” de um novo jeito. Atualizar-se!
Tudo isto no Egito está nas ruas, no contato com os músicos, com as crianças no semáforo que cantarolam os sucessos e até nas pirâmides! O Cairo é musical!

Toda a cidade vibra! A dança e a música fazem parte da raiz daquele povo e como nós brasileiros (guardadas as diferenças) eles tem o ritmo nas veias. Ir ao Cairo mudou a minha dança! Mudou a minha percepção da música, do ritmo a maneira de sentir e interpretar tudo isso.
Acho que o universo conspirou a meu favor e na realização deste sonho. Acrescentou muitas doses de surpresas e oportunidades extras, que fizeram a diferença nesta viagem.
A primeira surpresa que tive na viagem, foi quando em Amsterdã, durante a escala, encontrei a bailarina Hadia (uma canadense maravilhosa, que fiz curso em São Paulo, em 2001). Ela viajou comigo no vôo para o Cairo e ficamos no mesmo quarto no Hotel. Ela se tornou uma professora particular para me ajudar não só durante as aulas, mas privativamente no quarto, quando fazia minhas anotações e revisava os passos. Além de ter um show dela particular todos os dias!
Deus existe e é bailarina de Dança do Ventre! Nos tornamos grandes amigas e mesmo agora no Brasil continuamos em contato por e-mail.
Preciso falar também da alegria que tive ao encontrar minha professora Lulu Sabongi, com a qual compartilhei muitos cursos e comprovei o que já sabia há muito tempo. Ela é a melhor professora que eu tive no Brasil.
Quando o Festival terminou, o Hotel ficou num silêncio e, surpreendentemente, os homens que faziam plantão nos sofás do hall sumiram. As belly dancers também, tá explicado.

 

Continua>>>