Egito é um livro de história da humanidade viva. Em cada pedra das construções antigas está gravado o nosso passado. Ir ao Egito é mergulhar numa viagem no tempo em pleno século XXI.

Estar nas pirâmides, sentir a grandiosidade da Esfinge, contemplar tudo aquilo ao vivo, caminhar sob o sol escaldante do deserto é uma meditação, um profundo auto-conhecimento, que vale por anos de análise.
É claro que tudo está explorado pelo turismo, onde enquanto aprecia-se as pirâmides milhares de vendedores ambulantes esmeram-se em vender qualquer souvenir sem valor. Sem falar nos camelos. Pobres animais! Seus donos incansáveis em lhes proporcionar o passeio inesquecível. Mas tudo é imperdível, inclusive o passeio de camelo.

Outra atração do Cairo é o Museu. Ali encontram-se todos os restos de uma civilização avançadíssima, ilustrada por seus aspectos culturais, sociais, religiosos, políticos e econômicos. O que mais me fascinou foram as múmias na sala reservada, onde estão preservadas de uma forma impressionante. E também, as jóias dos Faraós na sua grandiosidade, quase inacreditável. Tudo é exuberante! Para uma observação mais profunda é necessário mais de uma visita, pois tamanho é seu acervo. Imperdível


as atrações do Cairo, um capítulo à parte é o Khan el Khalili. O Mercado Khan el Khalili é um conjunto de ruas formando um complexo onde se vende de tudo, ao melhor estilo Árabe.

Mercadorias sofisticadas como jóias, antigüidades, pratarias e cristais convivem lado a lado com todo o tipo de “bugiganga”. Eu me achei no Khan el Khalili, depois de algumas visitas, já transitava familiarizada pelas ruelas cumprimentando seu comerciantes.

Para as bailarinas da Dança do Ventre esse lugar é uma Disneylândia! Encontra-se tudo para Dança do Ventre. É claro que é preciso conhecer as lojas certas. Eu tive o melhor guia para andar pelo Khan el Khalili e barganhar em árabe pelos melhores preços. Tony é claro! Além dele, fiz amizade com o seu amigo Shafik, um egípcio que tem uma simpática loja de souvenirs no mercado. Shafik é um encanto. Me levou para passear nas melhores lojas de essências de perfume e, ainda, me deu muitos presentes, entre eles uma Ísis.


Enfim, o Khan el Khalili por si só é uma aula do estilo dos egípcios. Eu adorei!

Outro passeio interessante é o tour pelo Nilo, à bordo de um dos muitos barcos que oferecem um pacote de duas horas, incluindo jantar e show. Nós optamos pelo Pharaós, um dos melhores barcos, que fazem tal roteiro. Foi muito interessante e agradável, principalmente porque era meu aniversário. Ali pude sentir a “brisa” do Nilo coroada pela lua cheia. Uma verdadeira noite mágica! Inesquecível!


É claro que precisaria de muitas viagens ao Cairo e demais cidades para conhecer tudo o que essa região maravilhosa tem a oferecer. Mas em 15 dias de viagem em pleno Festival Internacional do Cairo, e numa primeira viagem, a minha prioridade foi mesmo a Dança Oriental Egípcia. Além dos shows do Festival, fomos assistir três apresentações que jamais esquecerei. Entre eles destaco o da minha bailarina preferida Lucy. Esse show para mim valeu a minha ida ao Egito. Ela dançou apenas para nós brasileiros, num episódio quase inédito, pois o Clube Parisiana, onde ela dança estava praticamente vazio por ser domingo (para eles como a nossa segunda-feira). Mas depois de muito sufoco (para saber se ela ia ou não aparecer). Surgiu Lucy. Foi uma noite memorável. Ela não apenas dançou como interagiu conosco.
Nos chamou para dançar e ao final do show podemos conversar e fazer aula com ela.

Além desse show, fomos ao Semiremis ver Dina, a top atulamente do Cairo. O público delira com a sua sensualidade. Já eu vibrei com essa oportunidade de vê-la atuando ao vivo, principalmente depois de fazer aula com ela e descobrir alguns de seus segredos.

O último show que vimos foi no Sheraton Cairo com a nossa querida Soraya Zaied, que já é sucesso naquele país. Foi emocionante ver a Soraya tão à vontade no palco. Isso serviu de inspiração, pois ela sempre sonhou em dançar no Cairo e vê-la realizando o seu sonho e o de muitas de nós, foi realizá-lo um pouco também. Ela sabia que era meu aniversário e me chamou junto com as demais meninas para subirmos ao palco e dançarmos com ela. Foi um momento muito especial!

Assistir essas bailarinas ao vivo acrescentou muito à minha dança. À partir dessa viagem eu sinto que houve um amadurecimento, pois somente estando no Cairo, vendo ao vivo os shows, caminhando pelos mercados. Enfim, fazer parte por alguns dias deste universo me fez um pouco Egípcia também e acho que já consigo transmitir isso ao dançar.

O Cairo é impressionante à qualquer turista, mas para as amantes da dança oriental essa viagem é uma pós-graduação, que coroa todo o estudo da dança. Uma vez um Egípcio, com quem fiz aula de ritmo (Mahmoud) disse: Uma bailarina só é verdadeiramente uma bailarina depois de ir ao Cairo. Na época eu fiquei muito frustrada com essa alerta, mas agora entendo o que ele queria dizer.

Por isso, eu estou estimulando com a minha vivência a todas que puderem seguir esse conselho de ir ao Egito pelo menos uma vez. Para quem ainda não puder realizar esse sonho, estou aberta a passar minha experiência e o meu aprendizado para contribuir com o desenvolvimento da verdadeira Dança Oriental Egípcia.
Retorna<<